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Inicio Artistas Colaboradores Sandra Hiromoto

Perfil del Usuario: Sandra Hiromoto
Sandra Hiromoto
796
Desconectado
hace 2 años
hace 2 años

Datos Personales

Sandra Hiromoto
Brasil

Información Artística

55 41 3018 9804
...
www.arteparanaense.art.br/sandra.html
Sandra Hiromoto é artista plástica residente em Curitiba, Brasil.
Foi a partir de 2005, em Berlim, junto com meu orientador Edilson Viriato e o grupo de artistas, que um novo olhar sobre a paisagem urbana surgiu. Grandes metrópoles em expansão, máquinas, tratores, guindastes gigantescos me fascinaram. Ao retornar, queria viver o cotidiano urbano, pensar no movimento, das pessoas e das máquinas. Para Peixoto, “a legibilidade da paisagem das cidades era relacionada à imaginabilidade, à capacidade de evocar uma imagem forte no observador, pressupondo referências visuais, um domínio sensorial do espaço, através da experiência e da observação ocular.”
Diversas fotografias, sofreram interferências digitais e posteriormente surgiram como stencil art. Desta experiência surgiram as séries “Metrópole, Óbvio Cotidiano e Diálogo entre objetos”
Graduada em Desenho Industrial - PUC/PR; aluna bolsista do Intercâmbio Cultural Brasil-Japão, Okayama University of Science-Japão; pós-graduada em Marketing, Funesp-PR, e pós-graduada em Poéticas Contemporâneas no Ensino da Arte , Universidade Tuiuti do Paraná.
Integra o CACEV - Centro de Arte Contemporanea Edilson Viriato
Participou do I e II Workshop e Viagem Cultural do Centro de Arte Contemporânea Edilson Viriato em Berlim, Colônia, Madri, Lisboa, Paris, Veneza, Praga, Amsterdã e Viena. Integra o CACEV - Centro de Arte Contemporânea Edilson Viriato em Curitiba/PR .
Foi Vice-diretora de Comunicação da APAP-PR (Associação Profissional do Artista Plástico do Paraná). Criou na pediatria do Hospital Erasto Gaertner as "Voluntárias da Arte".

Bibliografia:
ODAHARA,Rosimeire. "Wakane - A Arte Visual Nipo-brasileira no Paraná"
Participou da exposição "Trajetória dos 100 anos dos Artistas Plásticos Nikkeis do Brasil" em Kobe, Yokohama, Ehime e Kumamoto-Japão. Expôs na Casa do Brasil em Madri, Museu de Ceuta e I Bienal de Microformato - Córdoba- Espanha. Participou de diversos salões nacionais. Exposição Individual
2000 Alles Bier - "Sandra Hiromoto" - Curitiba - PR
2002 Café Curaçao - "Preparando a Festa" - Curitiba - PR
2003 Folha Seca - "Preparando a Festa" - Curitiba - PR
2004 Museu de Arte de Cascavel - "A Carne" - PR
SESC da Esquina - "Objetos Afetivos" - Curitiba - PR
2008 Objetos e Afetos - Solar do Rosário - Curitiba/PR
Foi premiada nos seguintes salões: XXX Salão de Artes Plásticas Contemporâneo 2006-Franca/SP (1ºPrêmio), 1º Prêmio Usina do Conhecimento Santa Helena/PR, Salão de Arte Contemporanêa Barbarense - Sta Bárbara Oeste/SP ,Salão de Arte Ararense- Araras/SP,VI Mostra de Artes Plásticas da Câmara Mun.de Curitiba/PR (Menção Honrosa ), IV Mostra de Artes Plásticas da Câmara Municipal de P. Grossa/PR ( Menção Honrosa) .
UMA CONVERSA COM O ENTORNO
I
Este texto pretende dialogar com a obra de Sandra Hiromoto, particularmente com a série Óbvio Cotidiano, cujas trabalhos nasceram a partir de viagens que a artista realizou por grandes metrópoles como Berlim, Madri e Paris. O impacto causado por essas cidades sugeriram à artista que se debruçasse sobre tantas imagens, espaços e pessoas, e possibilitou lançar seu olhar atento a aspectos novos da paisagem, marco que sempre dá início ao seu processo artístico. O que surgiu após tal contato é uma obra pontuada por signos da cidade: pessoas, bicicletas, torres, tratores, etc. Surgiu, também, uma “conversa com o entorno”, segundo suas palavras. Nas paisagens urbanas de Hiromoto, porém, a cidade não aparece como cenário, mas como organismo vivo que nos desafia a experimentar sensações novas.
Olhar a paisagem significa também vivê-la em sua totalidade. Sensação, imaginação e entendimento fundem-se para criar um novo espaço a partir daquele na qual a artista se inspirou. Neste caso, temos várias experiências sensoriais: a primeira (o olhar da artista sobre a paisagem), a segunda (a obra realizada a partir de sua intervenção sobre a paisagem retratada), a última, e talvez a mais importante, o olhar do espectador sobre uma paisagem que é reconhecível sem parecer uma “imitação” da paisagem real, o que seria impossível, mesmo que a artista assim o quisesse.
Sua fatura utiliza recursos técnicos atuais, mas seu resultado é próximo dos grandes paisagistas. Hiromoto juntou a fotografia digital com os princípios da pintura. Seu vigor plástico é uma mistura do domínio gráfico apreendido durante sua vivência diária com o lápis e o papel, e de sua sensibilidade pictórica apreendida a partir do contato com as tintas. Será necessário retomar estes aspectos ao final. Desta forma, as milhares de fotografias brutas, realizadas pelo olhar atento da artista, sofreram interferências digitais e posteriormente foram impressas em telas e pintadas com tinta acrílica.
II
A influência do artista pop sueco, naturalizado americano, Claes Oldenburg (1929) é assumida pela artista. O artista foi objeto de extensa pesquisa empreendida por Hiromoto e resultou numa importante monografia. Oldenburg trabalha com a idéia de “monumento”, próximo da idéia de objeto comum, usado, por exemplo, pela Pop Art. Mesmo sendo comuns, esses objetos guardam um grande fascínio, principalmente quando trabalhados pelas mãos do artista. Podemos aceitar o interesse de Hiromoto na obra de Oldenburg por causa da associação entre arte-cidade presente na obra do artista sueco. Esta associação fascinou Hiromoto, mas os resultados são diferentes. Segundo o historiador Giulio Carlo Argan, “com Oldenburg, desaparece qualquer vestígio de pintura, permanecem apenas as coisas-imagens, ampliadas e exageradas nas cores berrantes, intrometidas demais num espaço que parecem roubar à nossa existência” (Arte Moderna, p.577). Em Hiromoto os objetos são apenas o meio, a pintura é o fim. Não há a dissolução do objeto com um fim crítico, como em Oldenburg ou na Pop Art, mas a apreensão do objeto de forma afetuosa. A cidade, o homem e seu “contorno” estão no centro da obra de Hiromoto. Seu olhar é, antes de tudo, carinhoso. Não há a impiedosa crítica de Oldenburg, pois Hiromoto não deforma a paisagem, a torna, sim, mais intensa. Ambos, porém, parecem fascinados pelos objetos.
III
Traçando, portanto, um caminho próprio, Hiromoto une sua habilidade gráfica com um projeto artístico que se complementam. A artista uniu um fazer técnico que a tornou conhecida (o grafismo, a fotografia, o desenho) com um talento pictórico desenvolvido no decorrer dos anos. Sua obra é, assim, fruto de um repertório técnico (adquirido a partir de sua profissão de designer) com uma fatura pictórica que nunca foi relegada em função do trabalho gráfico. Ao unir estes dois aspectos, Hiromoto apresenta um trabalho artístico no qual formas contemporâneas fundem-se com um fazer também contemporâneo. Sempre atenta a novas tecnologias, Hiromoto não se furta em utilizá-las. Seu universo agrega o que há de mais avançado com uma pincelada muito bem visível. Uma pincelada, porém, como disse novamente Argan, pode nos dizer mais do que o objeto pintado. Eis o que disse textualmente Argan: “uma pincelada pode ser tão ou mais significativa do que a descrição de um objeto” (Clássico anticlássico, p. 17). O que pode ser um paradoxo, é uma das grandes qualidades da obra de Hiromoto. Esse equilíbrio entre uma fatura tradicional (o uso do pincel e da tinta) e uma fatura moderna (o uso da fotografia digital e do computador) transformam sua obra numa experiência única. Daí a atenção que essa obra desperta.


João Coviello
Artista plástico / Ensaísta /Mestre em Filosofia

Obras

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